Antes de tempo...


Foi ontem, 17 de Novembro, o dia Mundial da Prematuridade e hoje terminei mais um projeto pessoal, sou agora Conselheira de Aleitamento Materno e estes últimos meses de aprendizagem e partilha trouxeram à tona memórias, muitas memórias e sinto que finalmente chegou a hora de voltar à escrita...

Continuo a ser terapeuta da fala, coordeno agora uma equipa e continuo a apaixonar-me pelo que faço mas agora sou acima de tudo MÃE. Uma palavra tão curtinha mas tão mas tão maiúscula que fez com que todas as prioridades mudassem e este blog ficou parado no tempo à espera que a Rita que sempre gostou de escrever voltasse a pôr na escrita a sua alma.

Pois bem, já caminho para os 3 anos nesta aventura de ser Mãe, hoje vou falar só do início, um início antes de tempo que faz com que o Dia Mundial da Prematuridade não me possa voltar a passar ao lado...

Corria o ano de 2014, tudo corria bem, festas, doces, Natal, Ano Novo, dancei, diverti-me e logo no início de 2015, o ano que me mudou para sempre, às 25 semanas fiquei de repouso forçado, afinal não estava tudo bem, corria o risco de um parto prematuro. Às 30 semanas repouso absoluto, injeções de maturação dos pulmões, o medo de um parto prematuro e mesmo com tudo o que sabia profissionalmente acho que nunca tive verdadeira noção do que significava afinal um parto antes de tempo... não foi um período fácil mas com o apoio constante da minha mãe que me permitiu ficar em casa e não ser internada, apesar de já não ter posição para estar, levei este período sempre a brincar, afinal eu é que mandava e o meu bebé ainda ia aguentar muito tempo no quentinho (só que não!!)

Às 34 nova consulta e nesse dia, depois de almoço, em casa, chegou um dilúvio (acho que pensava que isto do rebentamento das águas era coisa de filme), não fiquei nervosa, confesso que me mantive extremamente calma e tive até tempo de pedir uma fotografia com a minha mãe que estava prometida para essa noite, era certo que já não ia ter outra oportunidade...

E às 18.58h aconteceu, nasceu o meu Pedro, o nosso Pedro, que veio mudar o nosso mundo, o nosso universo...
Ficou comigo e mamou com vontade, adormeceu mas depois veio a dificuldade respiratória e levaram-no... fiquei sozinha, no recobro, felizmente à espera de um quarto onde não estivesse um bebé mas sim outra mãe sem o seu bebé...

Nessa noite tive todo o apoio das enfermeiras, ajudaram-me no banho e assim que foi possível levaram-me à neo... foram horas de espera porque entretanto foi admitido outro bebé e nós, pais de neo, sabemos que nesses momentos a unidade pára para receber mais um pequenino ser que já tem que lutar logo ao nascer!

Chorei, chorei muito, chorei tanto, nesse dia e nos 15 dias que se seguiram, uma eternidade que não parecia ter fim... a minha alta sem bebé, as viagens para o hospital, as máquinas, os barulhos, a dependência dos monitores, a constante preocupação com todos os sinais e como iríamos em casa perceber se estava tudo bem, o banho, a muda da fralda (e a perícia necessária para conseguir fazê-lo dentro de uma incubadora), as pesagens do Pedro e de todas as fraldas...

Foi na manhã do primeiro dia de Primavera de 2015 que nos disseram, inesperadamente, que era esse o dia em que podíamos levar o nosso pequenino Pedro para casa, não nos despedimos sequer convenientemente dos outros pais, não ficamos com contactos (quase como que apagando aquele período, mesmo tendo sofrido por cada bebé que tinha mais uma complicação), tal foi a emoção daquele dia tão aguardado e que parecia mentira ter chegado. Tivemos medo, claro que sim, tanto, mas foi finalmente o nosso início a 3.


Fica um agradecimento a todos os que nos apoiaram no Hospital Beatriz Ângelo, às enfermeiras do serviço de obstetrícia, à neonatologista que naquela primeira noite pacientemente me pôs a mão no ombro e explicou tudo o que estava a acontecer, a todos os médicos a quem perguntámos 1000 x como estava o nosso Pedro, a todos os enfermeiros que cuidaram do nosso bebé apressado e ainda em especial à enfermeira Erica que passeava com os bebés e nos fazia rir com os seus comentários que permitiam esquecer por segundos onde estávamos. Obrigada! E obrigada pela confiança que me fez conseguir atingir o sucesso na amamentação, mas esse tema fica para uma próxima ocasião...

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