domingo, 20 de junho de 2010

Perturbação da comunicação e da relação

Foi uma mãe que me levou a escrever hoje, porque sei que as suas preocupações são as de muitos pais e por isso quero partilhar estes pensamentos... Falo-vos da perturbação da comunicação e da relação, um"rótulo" que muito preocupa pais e educadores... 

Trata-se de uma perturbação na capacidade de comunicar e de se relacionar com os outros, que pode ser mais ou menos grave. Enquanto terapeuta da fala, estes casos surgem-me a partir dos 2 anos de idade, quando as famílias destas crianças começam a perceber que algo não está bem, normalmente por ainda não terem desenvolvido a fala... Depois é a altura em que nós, terapeutas da fala, no caso de ainda não haver acompanhamento sugerimos outros médicos e técnicos especializados para que, em conjunto, possamos oferecer à criança maiores possibilidades de evoluir positivamente... O acompanhamento adequado por parte de vários técnicos é fundamental, é preciso avaliar o desenvolvimento, apoio de terapia da fala, de ensino especial...  

E afinal de que depende uma evolução positiva? Da própria criança, dos técnicos que com ela trabalham e mais importante ainda: dos familiares que a rodeiam. 

Ter expectativas negativas e desanimar é o primeiro passo para que a evolução não seja a desejada... Aos familiares peço: acreditem na vossa criança, tenham força, não desanimem mesmo quando os resultados tardam em aparecer, falem muito com os técnicos que lidam com a criança e exponham os vossos medos e angústias. Todos, em conjunto, procurem a melhor forma de fazer a vossa/nossa criança desenvolver-se adequadamente!

Uma outra questão que não posso deixar de abordar, e que muito preocupa os familiares, é a possível relação deste quadro com o autismo... Ora, uma perturbação da comunicação e relação pode, de facto, vir a confirmar-se como sendo um quadro de autismo mas também pode não o ser! É a evolução da criança que fará perceber qual o verdadeiro diagnóstico.. Já falei aqui de autismo com o intuito de deixar bem claro que o termo autismo engloba todo um conjunto de perturbações com diversos graus de gravidade... Gostava que o autismo deixasse de ter uma conotação tão negativa na nossa sociedade, porque não há motivo para que assim seja, por exemplo temos crianças com o Síndrome de Asperger (que faz parte do espectro do autismo) em que mal se notam diferenças em relação às outras crianças.

A perturbação da comunicaçao e da relação não tem que ser exactamente um quadro de autismo, mas... e se for? Que diferença faz a nomenclatura? Temos que pensar nas nossas crianças com as suas características únicas e com as suas necessidades de acompanhamento para que possam evoluir e não em rótulos... Eu nunca trabalho com autistas, mas sim com crianças especiais que precisam do meu apoio e do de outros técnicos para assim poderem evoluir positivamente!


Consulte também este artigo: Perturbação da comunicação e da relação

2 comentários:

Sandra Morato disse...

Olá, sou mãe de uma menina especial, nasceu com Trissomia 21-Sindrome de Down, e deixo aqui duas dicas importantissimas. A pequena grande Sara, começou a sua terapia da fala aos 2 meses e rapidamente se desenvolveu entre a Sara a família que com ela vive, e a terapeuta da fala uma ligação para além da terapia e do lado profissional. A componente humana, o empenho, a entrega e a interacção familiar com a orientação técnica da terapeuta da fala, operou milagres. Em tempo de férias, em casa o corrigir, o incentivar À oralidade na comunicação diária, de uma forma mais paciente, pausadamente, estimulando sempre tem sido de facto uma mais valia. Acedam a http://www.ajudas.com/notVer.asp?id=4418&src=destaque e conhçam um pouco mais do meu tstemunho. Beijinho grande à "nossa João" , a nossa tecnica da fala. Bem Haja! Sandra Morato

TF Rita Costa disse...

Parabéns Sandra! Não conhecia o seu livro e ainda não tive oportunidade de o ver, mas creio que só pode tratar-se de um testemunho importantíssimo para pais e técnicso porque foi escrito "com voz e coração de mãe". ;)