domingo, 5 de dezembro de 2010

Brincar, Brincar, Brincar!


Hoje assume-se o brincar como fundamental para o desenvolvimento da criança. Por um lado, constitui uma fonte de prazer e descoberta, por outro desenvolve a imaginação, a capacidade de criar. Para um desenvolvimento apropriado, a criança deve brincar livremente, não podemos, nem devemos, transformar a sua brincadeira numa actividade mecânica. Só brincando e brincando muito, as nossas crianças se descobrirão melhor a si próprias e construirão o seu mundo interior, tornando-se adultos realmente inseridos na sua comunidade. Primeiro começam por brincar sozinhas, depois será a mãe, com quem a relação é mais próxima, a parceira de brincadeira e, mais tarde, os outros que a rodeiam, reforçando, assim, os laços afectivos.
Segundo Piaget, podemos distinguir três fases no brincar: os jogos de exercícios, o jogo simbólico e jogos com regras.
Até aos 2 anos de idade a criança encontra-se na fase sensório-motora, procura explorar tudo o que se encontra em seu redor, apalpa os objectos, põe na boca, vira, encaixa... Esta fase caracteriza-se pelo jogo de exercício, é a exploração de objectos, das acções motoras e manipulação que assumem maior importância.
Entre os 2 anos e os 5/6 anos estamos na fase pré-operatória, surge e vai-se desenvolvendo a capacidade de produzir imagens mentais, ou seja, a estrutura representativa, o ausente passa a poder ser representado. A criança começa a ser capaz de jogar em grupo. É aqui que surge o "faz-de-conta", as histórias com fantoches, os desenhos, o brincar com objectivos.
A partir dos 7 anos encontra-se na fase das operações concretas, passando a centrar-se mais em jogos com regras que a ajudam a controlar a sua impulsividade. Estes jogos são mais competitivos e têm regras que, se não forem cumpridas, levam a penalizações, tal como acontece no futebol, nas damas, no xadrez…

O "mundo do faz-de-conta"
Quando falamos de jogo simbólico, entramos no "mundo do faz-de-conta". Nesta fase, a criança consegue evocar situações e objectos e representá-los, quer seja por palavras, objectos ou gestos, usando o seu imaginário para expressar os seus desejos. É desta forma que aprende a atribuir significados aos objectos, não se regendo apenas pelo objecto real, mas sim incorporando as coisas do mundo que a rodeia, nomeadamente o processamento das actividades da vida diária. É a fantasia que a domina, impera a liberdade de regras, o desenvolvimento da imaginação.
É através deste jogo que a criança consegue deixar de se centrar tanto em si mesma, relacionando o outro consigo, o que contribui para a diferenciação eu-outro. Se a criança for ter consigo com uma colher e um prato dizendo que tem uma sopa, é fundamental incentivarmos e reforçarmos estas iniciativas, vamos aceitar esta refeição e entrar na brincadeira! Há diversas actividades nas quais a presença do jogo simbólico se manifesta, tais como contar histórias com fantoches, desenhar, brincar às casinhas… Podemos incentivar estas brincadeiras, até em grupo no infantário. Por exemplo, porque não contar uma história em que cada criança represente uma personagem, se veja envolvida, mascarando-se ou utilizando um fantoche? Mas temos que lembrar-nos sempre que só será verdadeiramente jogo simbólico se a criança der vida a essa personagem, aceitar a brincadeira e usar a sua imaginação para fazer parte da história.
Estas brincadeiras permitem que a criança se coloque no lugar do outro, o que contribui para o desenvolvimento da pré-reversibilidade do pensamento e para a formação da sua personalidade. O jogo simbólico estimula também o desenvolvimento da linguagem e interesse em adquirir novo vocabulário, sobretudo se envolver um adulto ou criança mais velha. É também por isto que, enquanto terapeuta da fala, a promoção desta capacidade faz tantas vezes parte dos objectivos da minha intervenção. A imitação permite a expansão de vocabulário e a capacidade de usar símbolos e de estruturar o pensamento é a base da aquisição da linguagem. Estes jogos são o canal de comunicação entre a criança e o mundo, favorecendo o seu desenvolvimento linguístico, mas também físico, cognitivo, afectivo, social e moral.

Bibliografia
BERTOLDO, J. V.; RUSCHEL, M. A. M.- Jogo, Brinquedo e Brincadeira-Uma Revisão Conceitual. 2000.
COSTA, M. F. V. - jogo simbólico, discurso e escola; uma leitura dialógica do lúdico. REUNIÃO ANUAL DA ANPED. Vol. 26 (2003).
CRESCENTI, G. - Jogo simbólico: o olhar de docentes de educação infantil.  (2009).
NOVAES, A. - A importância do jogo e do brincar em terapia fonoaudiológica. Rev CEFAC. Vol. 2, n.º 2 (2000), p. 45-54.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dificuldades de aprendizagem: que relação com o desenvolvimento da comunicação, linguagem e fala?

Com o início de mais um ano lectivo, não posso deixar de abordar as dificuldades de aprendizagem específicas que preocupam muitos pais e profissionais da área da educação. De acordo com a Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas , estas dificuldades afectam entre 5 a 10% dos alunos em Portugal (cerca de 75000 crianças).
A natureza das dificuldades de aprendizagem pode ser diversa, aqui vou falar apenas nas alterações ligadas à aprendizagem da leitura e escrita. Neste campo, o desenvolvimento adequado das competências de comunicação, linguagem e fala desempenha um papel fulcral na aprendizagem da criança.
Pensemos numa criança de 3 anos… Os 3 anos marcam um ponto de desenvolvimento essencial e a partir do qual se desenrolam muitas aprendizagens posteriores. É nesta idade que surge a pergunta "porquê?" e que a criança começa a utilizar mais palavras e a qualidade gramatical do seu discurso melhora substancialmente. A criança passa a ser capaz de estabelecer uma conversa coesa e sem problemas, com melhor controlo do discurso e dos aspectos sociais, sendo mesmo capaz de mudar a sua forma de comunicação de acordo com as necessidades do interlocutor (por exemplo modelar o seu discurso ao dirigir-se a uma criança mais pequena). É logo a partir destas idades, na pré-primária, que os pais, educadores e professores, devem estar atentos a sinais que possam indicar futuros problemas de aprendizagem.
São vários os estudos que permitem concluir que as alterações de linguagem, sobretudo fonológicas (ao nível do domínio dos sons da língua), influenciam directamente a aquisição da leitura e da escrita, bem como o desempenho escolar das crianças. Assim, a identificação destas alterações deverá ser o mais precoce possível para que estes aspectos possam ser devidamente trabalhados. A tabela que se segue mostra alguns sinais de alerta que podem indicar futuras dificuldades de aprendizagem.

Tabela 1. Visão integrada das dificuldades de aprendizagem (LOPES, 2002)

Áreas-problema
·         Começa a falar mais tarde que a maioria das crianças.
·         Problemas de pronúncia de palavras.
·         O aumento do vocabulário é lento, às vezes é incapaz de encontrar a palavra correcta.
·         Dificuldades nas rimas.
·         Dificuldade na aprendizagem dos números, alfabeto, dias da semana, cores, formas.
·         É uma criança muito irrequieta e que se distrai facilmente.
·         Problemas no relacionamento com os colegas.
·         Dificuldade em seguir instruções ou rotinas.
·         Desenvolvimento lento das competências motoras finas.
Avaliação
·         Prognóstico de alto risco em relação a problemas futuros de aprendizagem.
Tipos de tratamento ou intervenção
·         Preventivo
Tratamentos ou técnicas que têm recebido mais apoio dos peritos ou que têm sido mais estudadas
·         Ensino directo nas áreas escolares e de linguagem
·         Técnicas de controlo do comportamento
·         Treino dos pais


O importante é responder precocemente a casos de risco para futuras dificuldades de aprendizagem e essa resposta deve ser dada por uma equipa multidisciplinar, que inclua os pais, os educadores e outros profissionais de educação e saúde. Nesta equipa é essencial a participação de um Terapeuta da Fala que é o profissional legalmente habilitado para intervir, tanto preventiva, quanto terapeuticamente nos casos de alterações de comunicação, linguagem e fala.

domingo, 20 de junho de 2010

Perturbação da comunicação e da relação

Foi uma mãe que me levou a escrever hoje, porque sei que as suas preocupações são as de muitos pais e por isso quero partilhar estes pensamentos... Falo-vos da perturbação da comunicação e da relação, um"rótulo" que muito preocupa pais e educadores... 

Trata-se de uma perturbação na capacidade de comunicar e de se relacionar com os outros, que pode ser mais ou menos grave. Enquanto terapeuta da fala, estes casos surgem-me a partir dos 2 anos de idade, quando as famílias destas crianças começam a perceber que algo não está bem, normalmente por ainda não terem desenvolvido a fala... Depois é a altura em que nós, terapeutas da fala, no caso de ainda não haver acompanhamento sugerimos outros médicos e técnicos especializados para que, em conjunto, possamos oferecer à criança maiores possibilidades de evoluir positivamente... O acompanhamento adequado por parte de vários técnicos é fundamental, é preciso avaliar o desenvolvimento, apoio de terapia da fala, de ensino especial...  

E afinal de que depende uma evolução positiva? Da própria criança, dos técnicos que com ela trabalham e mais importante ainda: dos familiares que a rodeiam. 

Ter expectativas negativas e desanimar é o primeiro passo para que a evolução não seja a desejada... Aos familiares peço: acreditem na vossa criança, tenham força, não desanimem mesmo quando os resultados tardam em aparecer, falem muito com os técnicos que lidam com a criança e exponham os vossos medos e angústias. Todos, em conjunto, procurem a melhor forma de fazer a vossa/nossa criança desenvolver-se adequadamente!

Uma outra questão que não posso deixar de abordar, e que muito preocupa os familiares, é a possível relação deste quadro com o autismo... Ora, uma perturbação da comunicação e relação pode, de facto, vir a confirmar-se como sendo um quadro de autismo mas também pode não o ser! É a evolução da criança que fará perceber qual o verdadeiro diagnóstico.. Já falei aqui de autismo com o intuito de deixar bem claro que o termo autismo engloba todo um conjunto de perturbações com diversos graus de gravidade... Gostava que o autismo deixasse de ter uma conotação tão negativa na nossa sociedade, porque não há motivo para que assim seja, por exemplo temos crianças com o Síndrome de Asperger (que faz parte do espectro do autismo) em que mal se notam diferenças em relação às outras crianças.

A perturbação da comunicaçao e da relação não tem que ser exactamente um quadro de autismo, mas... e se for? Que diferença faz a nomenclatura? Temos que pensar nas nossas crianças com as suas características únicas e com as suas necessidades de acompanhamento para que possam evoluir e não em rótulos... Eu nunca trabalho com autistas, mas sim com crianças especiais que precisam do meu apoio e do de outros técnicos para assim poderem evoluir positivamente!


Consulte também este artigo: Perturbação da comunicação e da relação

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dia Mundial da Voz

Hoje, 16 de Abril, celebra-se o Dia Mundial da Voz.

E afinal o que é a voz? Pegando nas palavras Catarina Olim e Sónia Neto (terapeutas da fala), “a VOZ humana é um dos principais veículos de comunicação do indivíduo. São vários os factores que a influenciam, podendo salientar-se a idade, o sexo, a personalidade e a profissão. Por outro lado, é ainda um reflexo do seu estado de saúde e emocional, tal como da sua intenção comunicativa. Preservar este elo fundamental de ligação e de relação entre os seres humanos pode, e deve, ser uma preocupação de cada um. A responsabilidade é de todos nós, sendo maior para aqueles cuja voz tem um papel importante no seu contexto profissional.”

É realmente nossa responsabilidade preservar a nossa voz, por isso deve lembrar-se sempre de beber muita água (1l a 1,5l por dia); fazer uma alimentação equilibrada e praticar exercício; não usar drogas, fumar ou ingerir bebidas alcoólicas em demasia e relaxar. Se tiver sintomas como rouquidão, tensão, secura, dor de garganta ou azia e se esses sintomas já duram há mais de 2 semanas, procure uma consulta de voz que, se possível, deve ser efectuada por um otorrinolaringologista e um terapeuta da fala que certamente o saberão orientar!

No âmbito das comemorações deste dia, agradeço o convite da Biblioteca Municipal João Brandão, em Tábua (a minha terra Natal), para fazer esta noite uma pequena apresentação. Obviamente que aceitei o convite e espero sinceramente poder contribuir para a melhor informação de todos os que estiverem presentes acerca da voz e dos cuidados para a manter saudável.

Cuide da sua Voz! ;)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dia Mundial da Saúde

Comemora-se hoje, dia 7 de Abril, o dia Mundial da Saúde que este ano tem como tema "1000 Cidades - 1000 Vidas". Em 2010 o ênfase é colocado nos efeitos da urbanização na nossa saúde... De facto, dentro de cerca de 30 anos, praticamente toda a população viverá em áreas urbanas, acentuando problemas relativos ao acesso à água, possível aumento de doenças infecto-contagiosas e crónicas, problemas de segurança e redistribuição de riqueza.

Vale a pena reflectir e procurar soluções antes que estes problemas se coloquem verdadeiramente...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dia Internacional do Livro Infantil

Desde 1967 que no dia 2 de Abril se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil. Esta data foi escolhida em homenagem ao grande escritor e poeta dinamarquês Hans Christian Andersen que nasceu a 2 de Abril de 1805 e faleceu em 1875.

Hans Christian Andersen escreveu alguns dos contos clássicos que todos nós conhecemos: "A princesa e a ervilha", "O soldadinho de chumbo", "O patinho feio", "A pequena sereia", "A menina dos fósforos", entre muitos outros.

Para aqueles que queiram dar a conhecer aos seus meninos estes contos, que ainda hoje encantam miúdos e graúdos, no site Contos de Hans Christian Andersen podem encontrar alguns contos para ler, ouvir e explorar realizando os jogos e actividades propostos.

Boas leituras e já agora deixo também votos de uma Boa Páscoa! ;)

sábado, 6 de março de 2010

Dia Europeu da Terapia da Fala


Não posso deixar de assinalar que hoje, dia 6 de Março, é o dia Europeu da Terapia da Fala.

Gostaria aqui de louvar a iniciativa de um grupo de alunas finalistas da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal que decidiu assinalar esta data com o II Simpósio de Terapia da Fala! Neste simpósio terapeutas e futuros terapeutas tiveram a oportunidade de fazer apresentações acerca de diversos temas, tornando possível a partilha de conhecimentos e contactos entre as várias escolas. É com iniciativas deste género que podemos, de facto, enriquecer a nossa profissão!

Eu e a minha colega Sara Rua apresentámos neste simpósio o nosso projecto final de licenciatura, na área de voz, cujo tema foi: "Desvozeamento das fricativas e oclusivas vozeadas no Português Europeu". Aproveito para agradecer o convite que nos foi feito e a oportunidade para partilhar com os colegas e futuros colegas o nosso trabalho de investigação, que esperamos contribuir pelo menos para despertar "o bichinho da investigação" na área da voz.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A minha primeira colaboração :)

Olá :p

Como esta é a primeira vez que posto aqui no blog acho que me devo apresentar... Tânia Costa, se tudo correr bem, futura médica (estou actualmente no 2º ano do curso de Medicina). A convite da Terapeuta da Fala Rita Costa sou colaboradora deste magnífico blog.

Subscrevo as palavras da Rita quando encara o exercício da sua profissão como uma viagem, também eu me sinto assim neste início do curso de Medicina. Acho que uma das melhores frases para descrever o porquê da nossa paixão pela área da Saúde se encontra num fantástico livro do Nuno Lobo Antunes, SINTO MUITO: "É um privilégio poder conhecer a humanidade no seu melhor, na Coragem, mas sobretudo, no Amor". A verdade é que estas são as duas características essenciais para superar um problema de saúde. E o nosso papel passa não só por dar esse Amor mas também chamar pela Coragem.

Não curamos doenças, damos o nosso melhor para curar Pessoas.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Dificuldades de aprendizagem: primárias e secundárias

Dificuldades de Aprendizagem Primárias:


• Não se identifica uma causa orgânica específica.

• Perturbações na aquisição da linguagem falada (receptiva e expressiva), linguagem escrita (receptiva e expressivas) e linguagem quantitativa.

• O potencial sensorial (relacionado com os sentidos), intelectual, motor e social são normais.

• As perturbações dependem de alterações mínimas, tão mínimas que não são detectadas pelos exames médicos (pediátricos, neurológicos, psiquiátricos…) ou psicológicos (clínicos, pedagógicos…).



Dificuldades de Aprendizagem Secundárias:

• Resultam de condições, desordens, limitações ou deficiências devidamente diagnosticadas (deficiências visual, auditiva, mental, motora, emocional ou privação cultural).

• Perturbações secundárias na aquisição da linguagem falada (receptiva e expressiva), linguagem escrita (receptiva e expressivas) e linguagem quantitativa.

• O potencial sensorial, intelectual, motor e social são diferentes da normalidade.

• As perturbações dependem de deficiências sensoriais, neurológicas, psíquicas ou ambientais (privação cultural, desvantagem sócio-económica, malnutrição, envolvimento afectivo, estimulação precoce…).


Espero que as diferenças se tenham tornado mais claras! ;)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

As dificuldades de aprendizagem e a Terapia da Fala

Actualmente fala-se muito de dificuldades de aprendizagem, em Portugal temos cerca de 5 a 10% dos alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, o que representa cerca de 75000 alunos, dos quais 2/3 são rapazes!


Mas afinal o que se entende por dificuldades de aprendizagem? A definição não é fácil nem consensual mas, de acordo com National Joint Committeee on Learning Distabilities (1994), as dificuldades de aprendizagem:

• Manifestam-se por dificuldades na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas;

• São intrínsecas ao indivíduo, devem-se provavelmente a disfunções do sistema nervoso central e podem verificar-se ao longo da vida;

• Podem ocorrer juntamente com condições desvantajosas ou com influências extrínsecas, mas não são resultado dessas condições ou influências.

Importa ainda referir a distinção entre dificuldades de aprendizagem primárias e secundárias, mas essa fica para a semana! ;) Agora a pergunta que se coloca é qual o papel de um terapeuta da fala nas dificuldades de aprendizagem? Esta pergunta não tem uma resposta universal. Nem sempre o terapeuta da fala deverá intervir nestes casos mas se as dificuldades de aprendizagem afectarem a linguagem (ao nível da compreensão e expressão/oral e/ou da leitura e escrita) torna-se muito importante o apoio de terapia da fala não esquecendo que é imprescindível trabalhar em parceria com os outros profissionais: professores, psicólogos…

domingo, 17 de janeiro de 2010

Os cinco tipos do Espectro do Autismo

Segundo Wing, o "Espectro do Autismo" abrange cinco tipos dos quais vou indicar apenas as características mais marcantes:


Autismo clássico ou Sindroma de Kanner

• Contacto visual reduzido;

• Estereotipias verbais e comportamentais;

• Marcada resistência à mudança;

• Procura constante de isolamento;

• Especial interesse por determinados objectos e comportamentos.



Síndroma de Asperger

• A comunicação é menos afectada que no autismo clássico e até habitual que a linguagem se desenvolva precocemente.

• O quociente de inteligência (Q.I.) é mais elevado do que no autismo clássico.



Perturbação desintegrativa da infância

• A criança apresenta um desenvolvimento normal até cerca dos 2 a 4 anos de idade, aparecendo, posteriormente, de forma gradual, graves sintomas de autismo.

• Perda significativa de aptidões anteriormente adquiridas (em pelo menos dois dos seguintes domínios: aptidões sociais, aptidões motoras, linguagem e controlo dos esfíncteres) e a perturbação em pelo menos dois dos três domínios da tríade (comunicação, interacção social e uso da imaginação).



Autismo atípico

• As características observadas não correspondem na totalidade ao Autismo clássico ou ao Síndroma de Asperger ou à Perturbação desintegrativa da infância.



Traços de autismo

• Neste grupo incluem-se os indivíduos que não se enquadram no Autismo clássico, Síndroma de Asperger, Perturbação desintegrativa da infância ou Autismo atípico e manifestam pelo menos três sinais (o défice de atenção é um exemplo) que não correspondem a estes critérios.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O espectro do autismo...

Devido às diversas manifestações comportamentais com diferentes graus de intensidade e severidade que encontramos nas pessoas com autismo, Wing (1988) propôs a introdução do conceito "Espectro do Autismo" que abrange vários tipos, cada um com traços característicos. Contudo, dentro de cada tipo podemos encontrar comportamentos muito diferentes, ou seja, não há um padrão único que caracterize a pessoa com autismo! Mais importante do que atribuir um rótulo (saber que se trata de um autismo e que é do tipo a, b, c, d ou e) é identificar as características específicas daquela criança, pois é com base nelas que intervimos e só assim conseguiremos resultados verdadeiramente positivos!

Wing considera que o "Espectro do Autismo" abrange cinco tipos, prometo publicar para a semana as nomenclaturas usadas e uma breve explicação de cada um destes tipos! ;)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Bom ano novo!

Desejo a todos um 2010 fantástico!

Em breve publicarei um novo artigo sobre autismo, fiquem atentos ;)